RÁDIO MUNDIAL AM 860 - DO FUNDO DO BAÚ - - RÁDIO MUNDIAL AM 860

Quem não se lembra daquela voz grossa, empostada, que estrategicamente esperava uma pequena pausa na música para mixar o MUNNNNN-DI-ALLLLLLLLL?
Isto, além do charme, servia para que outras emissoras não gravassem o acervo da Mundial que era “updated” todos os dias, numa época que conseguir um 45 RPM importado era uma tarefa de gincana. (E.Bertoni)

“Nos anos 60 e 70, a Mundial era uma das várias AMs cariocas que tinha uma programação predominantemente musical. Nesta época, não havia nenhuma FM legalizada. As FMs foram legalizadas pelos governos militares a partir da virada dos anos 60 para 70, com o objetivo de minar o prestígio das AMs. Estas, na medida do possível, davam espaço para a oposição e a contestação aos governos ditatoriais e a seus patrocinadores.

O Sistema Globo passou a investir pesado na Mundial AM. A virada veio com a chegada do radialista e DJ Newton Duarte , o Big Boy, que assumiu a direção geral da rádio. Big Boy implantou uma programação pop extremamente inteligente e ágil. Uma programação que não deixava de tocar bons nomes da música popular. Por isso, é impossível falar da Mundial AM e do rádio do Rio dos anos 70 sem falar de Big Boy, um dos melhores radialistas da história.

O próprio Big Boy apresentou alguns dos melhores e bem-sucedidos programas da Mundial. Neles, ele aproveitava sua experiência como DJ no Rio de Janeiro.

Nos bailes "da pesada" promovidos em diversos lugares da cidade, como o Canecão e clubes do subúrbio, Big Boy apresentava as principais novidades da música pop. Nos anos 70, ele ajudou na explosão da black music e do funk original, muito superior ao insosso funk carioca surgido nos anos 80 e 90.

Nos seus programas na Mundial, Big Boy apresentava as mesmas músicas que ele mostrava nos bailes, e ainda fazia mixagens ao vivo, no ar. Sua locução era extremamente original.

Big Boy também gostava de rock. No dia da morte de Jimi Hendrix, o radialista chorou no ar, no horário do seu programa, enquanto fazia homenagens ao guitarrista. Enquanto isso, nas rádios reacionárias, Jimi Hendrix era tratado apenas como um "preto drogado".

Como a Mundial tinha ouvintes em vários estados, a programação da Mundial AM virou referência para diversas AMs e FMs de todo o Brasil. No Rio, todas as boas FMs de qualidade que surgiram, desde os anos 70 até hoje, devem ao pioneirismo da equipe da Mundial AM. Até outras rádios AM copiavam o modelo da Mundial, a começar pela Excelsior AM 780 de São Paulo, que também era do Sistema Globo.

Alguns programas desta fase da Mundial: Agente Oito Meia Zero, Ritmos de Boate, Show dos Bairros, Toca Toca Mundial, Good Night Mundial e Som dos Bailes.
Às sextas-feiras, às 18 horas, Big Boy apresentava o “Cavern Club” onde só tocava Beatles.

A morte prematura de Big Boy, em 07/03/1977, foi uma das maiores tragédias da história do rádio. A história do rádio e da TV brasileira teria sido melhor.

A partir da morte de Big Boy, a Mundial começou sua lenta agonia, também por conta do surgimento das FMs. Logo de cara, em 1977, teve que encarar a concorrência da recém-criada Cidade FM.

Já na virada dos anos 70 para os 80, a Mundial tinha se tornado uma rádio cheia de sucessos populares, substituindo a linguagem pop. Tudo para tentar levantar a audiência novamente. Mas as vinhetas pop não foram trocadas. Esta situação durou até o fim da emissora.

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